A lei da IA atrasou de novo no Congresso — e isso não muda nada no que sua empresa devia estar fazendo

Mesa de uma pequena empresa em plena atividade, nítida em primeiro plano, enquanto a silhueta desfocada de um prédio do Congresso permanece parada ao fundo — a votação do marco da IA adiada não impede o negócio de seguir usando IA com critério.

TL;DR (resposta rápida):
A Câmara adiou mais uma vez a votação do marco legal da inteligência artificial (PL 2338). Em 9 de junho, o presidente da Casa descartou votar o texto nesta semana — a meta agora é até o fim do mês. Pra sua pequena empresa, a mensagem prática é dupla: a lei mira principalmente quem desenvolve e opera sistemas de IA, não quem usa ferramenta pronta; e as obrigações que realmente afetam você hoje — proteger dado de cliente e revisar o que a IA produz — já existem, com lei ou sem lei.


Se você acompanha as manchetes esperando “a lei da IA” pra só então decidir se usa a tecnologia no seu negócio, temos duas notícias. A primeira: a espera vai continuar. A segunda: ela nunca foi um bom motivo pra esperar.

Esta semana, o assunto mais quente em IA no Brasil não foi um lançamento — foi um adiamento. E entender o que está (e o que não está) em jogo nesse texto evita dois erros opostos: a paralisia de quem não usa IA “porque ainda não tem regra”, e o descuido de quem usa como se regra nenhuma existisse.

O que aconteceu com o marco da IA esta semana?

O PL 2338/2023, que cria o marco legal da inteligência artificial, foi aprovado por unanimidade no Senado em dezembro de 2024 e desde então tramita na Câmara dos Deputados, numa comissão especial com relatoria do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

A expectativa era que o relatório final saísse em 9 de junho. Não saiu. Na mesma data, o presidente da Câmara, Hugo Motta, descartou votar a regulamentação nesta semana e condicionou a votação a um alinhamento prévio com o Senado — se a Câmara alterar o texto, ele volta pros senadores, e ninguém quer esse pingue-pongue em ano eleitoral. A intenção declarada de Motta segue sendo votar até o fim de junho, mas o histórico recomenda ceticismo: a votação já foi prometida pra dezembro de 2025 e empurrada desde então.

O que essa lei quer regular, afinal?

O texto aprovado no Senado segue a lógica da regulação europeia: classifica sistemas de IA por nível de risco e calibra as obrigações de acordo. Em resumo:

Nível de riscoExemploO que acontece
Risco excessivoSistemas que manipulam comportamento de forma danosa, ranqueamento social pelo poder públicoProibido
Alto riscoIA em saúde, crédito, seleção de pessoas, segurançaPermitido com obrigações pesadas (avaliação, supervisão humana, registro)
Demais sistemasA maioria das ferramentas do dia a diaObrigações gerais de transparência

O texto do Senado também cria um sistema nacional de fiscalização (o SIA), coordenado pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados, e prevê sanções que podem chegar a R$ 50 milhões por infração ou 2% do faturamento, segundo análise do escritório LBCA sobre o texto aprovado. Importante: esses números são do texto que saiu do Senado — o relatório da Câmara ainda não foi apresentado e pode mudar pontos relevantes.

Há também um lado menos comentado e que interessa a você: o texto prevê tratamento diferenciado pra startups e empresas de pequeno porte, com regras de conformidade simplificadas. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que multas nessa escala podem travar startups e afastar investimento — esse é justamente um dos pontos da queda de braço que atrasa a votação.

Minha pequena empresa pode ser multada por usar ChatGPT?

Essa é a pergunta que importa — e a resposta curta é: o alvo principal da lei não é você. As obrigações mais pesadas do PL 2338 recaem sobre quem desenvolve e quem opera sistemas de IA, especialmente os de alto risco. A loja que usa uma IA pronta pra escrever descrição de produto, responder cliente ou organizar a agenda está muito longe do centro desse alvo.

Isso não significa que dá pra usar IA de qualquer jeito. Significa que as regras que realmente alcançam o seu dia a dia, na prática, já existem:

A LGPD já vale hoje. Se você cola dados de cliente (nome, telefone, histórico de compra, situação financeira) numa ferramenta de IA, isso é tratamento de dado pessoal — e a lei de proteção de dados se aplica desde 2020, sem precisar de marco da IA nenhum.

Responsabilidade pelo que você publica já existe. Se a IA escreveu uma informação errada sobre seu produto e o cliente se sentiu lesado, o Código de Defesa do Consumidor não pergunta quem redigiu o texto.

Conferência humana não é exigência futura, é bom senso atual. Preço, prazo, promessa e número: tudo que a IA gerar e que vira compromisso com cliente precisa passar pelos seus olhos antes.

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Opinião editorial (IAexata): o adiamento tem um custo silencioso — a insegurança jurídica favorece as gigantes, que têm advogado pra acompanhar cada versão do texto, e paralisa o pequeno, que não tem. Mas usar essa incerteza como desculpa pra não estruturar o uso de IA é entregar vantagem ao concorrente. A lei vai definir detalhes; a direção (transparência, dado protegido, gente revisando) já está dada faz tempo.

O que fazer enquanto a lei não sai?

Nada de projeto jurídico complexo. Pra uma PME que usa ferramentas prontas, estruturar o básico cabe em três movimentos:

1. Saiba quais IAs sua empresa usa e pra quê. Boa parte das empresas não tem esse mapa — cada funcionário usa o que quiser, com a conta que quiser. Uma lista simples (ferramenta, tarefa, quem usa) já te coloca na frente.

2. Tire dado sensível de cliente das conversas com IA. Regra prática: se você não colocaria a informação num e-mail pra um estranho, não cole no chat de uma ferramenta que você nem sabe onde armazena.

3. Defina o que nunca sai sem revisão humana. Preço, contrato, comunicação delicada com cliente. O resto pode fluir mais solto.

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Vale a pena esperar a lei pra começar a usar IA?

Não — e o raciocínio é simples. A lei vai levar o tempo que a política levar (a promessa atual é fim de junho, mas já foi dezembro, depois fevereiro, depois “neste semestre”). Seu concorrente que usa IA com critério não está esperando. E nada do que o PL 2338 propõe proíbe o uso comum de ferramentas de IA por pequenas empresas — ao contrário, o texto prevê regras mais leves pra quem é pequeno.

O risco real pra sua empresa não está na lei que não saiu. Está em usar IA sem critério nenhum (dado de cliente vazando, conteúdo errado publicado) ou em não usar e ficar pra trás. Os dois extremos se resolvem do mesmo jeito: começar pequeno, com as ferramentas certas pra sua tarefa. Se quiser pular a fase de tentativa e erro, peça seu roteiro grátis.

Perguntas frequentes

O que é o PL 2338?
É o projeto de lei que cria o marco legal da inteligência artificial no Brasil. Foi aprovado por unanimidade no Senado em dezembro de 2024 e está na Câmara dos Deputados, onde uma comissão especial discute o texto final. Ele classifica sistemas de IA por nível de risco e define obrigações, fiscalização e sanções.

Quando a lei da IA vai ser votada?
Não há data confirmada. Em 9 de junho de 2026, o presidente da Câmara descartou a votação naquela semana e condicionou o avanço a um acordo prévio com o Senado. A meta declarada é votar até o fim de junho de 2026, mas a votação já foi adiada várias vezes desde 2025.

Pequena empresa que usa ChatGPT vai ser multada?
O uso comum de ferramentas prontas não é o alvo das obrigações pesadas do projeto, que recaem sobre quem desenvolve e opera sistemas de IA, sobretudo os de alto risco. O texto do Senado ainda prevê tratamento simplificado pra startups e empresas de pequeno porte. Atenção: o texto final pode mudar na Câmara.

Quais multas o PL 2338 prevê?
No texto aprovado pelo Senado, as sanções podem chegar a R$ 50 milhões por infração ou 2% do faturamento, conforme análises jurídicas do texto (LBCA, 2026). Esses valores valem para infrações à lei — não para o simples uso de ferramentas de IA — e ainda podem ser alterados pelo relatório da Câmara.

O que minha empresa precisa fazer agora?
Três coisas que não dependem da lei: mapear quais IAs a empresa usa e pra quê; não colocar dados pessoais de clientes em ferramentas de IA sem critério (a LGPD já vale); e definir o que nunca é publicado ou enviado sem revisão humana, como preços, contratos e promessas a clientes.

A LGPD já se aplica ao uso de IA?
Sim. Se a sua empresa insere dados pessoais de clientes ou funcionários em qualquer ferramenta de IA, isso é tratamento de dados pessoais e a LGPD se aplica integralmente — desde 2020, independente do marco da IA. É hoje a regra mais concreta que alcança o uso cotidiano de IA por pequenas empresas.

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Informações verificadas via busca na web em 11/06/2026. O PL 2338 ainda está em tramitação — obrigações, prazos e sanções podem mudar no texto final. Este conteúdo é informativo e reflete a leitura editorial da IAexata; não substitui orientação jurídica ou profissional para o seu negócio.

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